8 de Setembro de 2026
Na semana em que iniciam as festas maiores do concelho e Ponte de Lima, as Feiras Novas, lembramos a vida do limiano Domingos Rodrigues Alves
Tudo começa a 23 de dezembro de 1818, na freguesia da Correlhã, em Ponte de Lima. Filho de lavradores minhotos, Domingos parecia destinado a uma vida humilde ligada à terra, mas em 1832, com apenas 14 anos, o jovem despede-se das margens do Rio Lima e embarca no brigue 𝑅𝑖𝑜 𝐿𝑖𝑚𝑎 rumo ao desconhecido, cruzando o Atlântico para desembarcar no Rio de Janeiro.Começou como caixeiro, até que a saúde o forçou a procurar os ares do interior de São Paulo, estabelecendo-se em Guaratinguetá. O que parecia uma vicissitude transformou-se no grande ponto de viragem da sua vida. Em pleno “boom” do café, o jovem limiano revelou uma visão comercial extraordinária, prosperou, conquistou a elite local e casou-se com Isabel Perpétua de Marins. Aquele rapaz que partira sem nada transformara-se num próspero fazendeiro. Mas o sucesso da sua jornada não se mediu em sacas de café ou em alqueires de terra, materializou-se na sua descendência que dotou com uma educação de elite. Viria a falecer em 1912, aos 93 anos.
O seu terceiro filho, Francisco de Paula Rodrigues Alves, construiu uma trajetória política brilhante, operando com maestria a transição entre o Império e a República. Como 5º chefe de Estado, no mandato de 1902 a 1906, concentrou os seus esforços na transformação da capital federal de então, o Rio de Janeiro, que sofria com a falta de planeamento urbano e epidemias constantes. Após governar o Estado de São Paulo, voltou a candidatar-se tendo sido eleito Presidente da República, pela segunda vez, em 1918. Contudo, faleceu em janeiro de 1919, semanas antes de conseguir tomar posse do seu segundo mandato presidencial.

